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domingo, 6 de dezembro de 2009

Memorial aos mortos dos ataques de 9/7 - faltou um nome





Suchocka, Günoral, Matsushita, Slimane e Badham, são alguns dos sobrenomes inscritos na lápide de mármore, junto ao memorial que recorda os mortos dos ataques que Londres sofreu na manhã de terror do dia 9 de julho de 2005. O monumento foi inaugurado este ano, com as presenças do Primeiro Ministro Gordon Brown e do Príncipe Charles, no dia em que os ataques completavam 4 anos. É algo que os ingleses sabem fazer muito bem: preservar a memória, seja ela gloriosa ou trágica. Às vezes até de forma exagerada. No mesmo Hyde Park, local escolhido para o memorial, há outro dedicado aos animais mortos durante a II Guerra Mundial, por exemplo.

Eu já havia visto o memorial na tv, mas passar entre aquelas 52 pilastras que homenageiam as 52 vítimas do brutal ataque, é completamente diferente. Não há como não sentir uma tristeza dessas que deixa a alma coberta por denso um manto de silêncio. É como ver materializada a brutalidade humana. Nomes que pareciam tão distantes, ilustres desconhecidos, números de uma matemática macabra, ganham origem, nacionalidade, proximidade, sobrenome.

Foi exatamente a leitura de alguns daqueles nomes que acentuaram em mim a sensação do quão absurdo é um ataque terrorista. O absurdo do ataque aleatório, onde as vítimas são escolhidas pelo capricho do acaso. Não foi um ataque contra civis ingleses, o que também não justificaria, foi uma ataque contra quem vive em Londres. Um ataque contra pessoas de diferentes origens: oriental, asiática, africana.

Ao mesmo tempo, aqueles nomes me remeteram a uma ausência. Algo estava faltando. Uma vítima daqueles ataques havia sido esquecida. Por um momento senti vontade de ter comigo uma ferramenta que me permitisse achar um espaço naquela lápide, para gravar ali o nome esquecido: Jean Charles de Menezes.

sábado, 7 de novembro de 2009

A praia dos londrinos



Daqui a pouco vou completar 5 anos de Londres. Foram 11 meses entre agosto de 1998 e julho de 1999, e quase 4 anos desde que mudei pra cá em fevereiro de 2006. Nestes dois períodos, morei em 4 diferentes lugares da cidade: Blackheath, Lee Green, Bermontsey e, agora, Nunhead. Em comum, todos estes lugares têm uma coisa, além da localização ao sul do Thames: sempre tive um ou mais belos parques por perto. O parque é a praia do londrino e, ao que parece, cada bairro tem direito à sua. O primeiro parque que frenquentei com uma certa assiduidade foi o belíssimo Greenwich, com seu mercado, livrarias, pubs, museus, o observatório nacional, cafés, entre outras atrações. Passar uma tarde de sábado em Greenwich é uma das coisas mais agradáveis que você pode fazer em Londres.

Aqui, em Nunhead, estou cercado de parques, mas o que mais curto é o Peckham Rye Park (fotos em p&b acima), que fica a 3 minutos da minha casa. Gosto de fazer caminhadas, observar pessoas, sentir a mudança do parque a cada estação. Agora mesmo, as folhas começam a cair e daqui a pouco as árvores estarão completamente nuas. É irônico que, ao contrário do ser humano, elas fiquem nuas exatamente no inverno.

Também curto muito o Hyde Park (foto colorida), pela beleza que exibe em cada canteiro, seu lago maravilhoso, suas fontes romanas e o speaker corner, com loucos de todas as origens fazendo os seus discursos, aos domingos. Uma mistura de parlamento e igreja a céu aberto.

Quando faz um sol, assim como qualquer praia brasileira, os londrinos invadem os parques: tomam banho de sol, fazem caminhadas, jogam rugby, futebol, entre outros esportes. As crianças sempre têm os seus playgrounds, enquanto que adolescentes e amantes de esportes radicais desfrutam de pistas de skate.

Outra característica que chama a atenção de qualquer brasileiro é ver como o verão transforma os parques londrinos em grandes restaurantes ao ar livre. O londrino transforma a hora do almoço num imenso piquenique. Em alguns deles, como o Green Park você pode até alugar cadeiras. Frequentar um parque em Londres, além de aliviar o stress, é uma boa maneira de interagir com essa gente que tem fama de fria e distante, mas que é apenas diferente. Como é qualquer pessoa de outra cultura que não a nossa.

Se você vier a Londres e tiver a sorte de ficar hospedado na casa de algum amigo mais afastada da região central da cidade, aproveite para descobrir belezas que estão fora do roteiro turístico tradicional. Você vai encontrar, no mínimo, um belo parque a 5 minutos de onde você está.